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memóriacurta

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Apontamentos I - A CGD e o novo ano letivo

Li algures que a CGD, banco público e alicerce de todo o sistema financeiro português, como facilmente se constata, e cuja privatização é um dos objetivos por cumprir deste governo, lançou uma campanha de pagamentos diferidos.

Consuma hoje e pague apenas em novembro.

Pode parecer uma simples e inócua operação de marketing: em novembro há subsídio de férias e em agosto há saldos e férias.

No entanto, já bem sabemos que as coisas com este governo vão sempre no sentido "que se lixe o país que as eleições estão aí".

 

Vem isto a propósito da lista de material e manuais escolares necessários às atividades letivas dos filhos, que terão de ser adquiridos até ao final do mês de agosto.

Para além dos manuais caríssimos, é preciso juntarmos os cadernos, dossiers, transferidores, compassos, borrachas, canetas, a mochila (vá lá, pai), a resma e os tinteiros.

Há quem fique sem um ordenado. Há quem fique sem dois ordenados. Depende do número de filhos e de quanto ganhamos e também da escola ou do colégio.

Pelo que sei, alguns colégios privados têm a ousadia de exigir a aquisição de equipamentos tecnológicos caríssimos

Resultado: comprar em prestações ou...utilizar o subsídio de natal.

 

É aqui que entra a CGD: Uma vez que ainda é pública, raios a partam, ao menos que nos ajude, terão pensado os senhores que nos governam.

Não queremos os pais chateados na hora de ir votar. É um facto que temos andado a prometer mundos e fundos para depois das eleições, mas o curtíssimo prazo vai ser fundamental para o seu desfecho. Deste modo, junta-se o útil ao desejável: o pessoal pagará esta despesa imprescindível a tantas famílias apenas depois das eleições, mantendo a ilusão de riqueza até outubro próximo. 

Obviamente, poderemos consumir outros produtos ou serviços, como umas férias melhores. Vai dar ao mesmo. O que importa é manter o pessoal minimamente feliz até ao próximo dia 4 de outubro. Se já resultou antes, porque não fazê-lo novamente (a tal memória curta).

 

Nunca poderei confirmar se foi esta a intenção da CGD, mas dado o historial deste governo nestas matérias de populismo barato e de venda da banha da cobra, quase que aposto que sim.

 

 

Impressões Gerais - IV

Da campanha eleitoral de 2011, o que nos fica é esta pérola:

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1820627

Depois de eleito temos esta pérola:

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1906088

Bem, afinal parece que não foi bem isso que disse...http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?did=14747&fid=27...ou terá sido?

Entretanto, descobriu-se efetivamente um desvio colossal nas contas públicas, mas na Madeira, feudo do PSD desde tempos remotos:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1962472&seccao=Jos%E9

No caso da Madeira os portugueses nada têm a temer: não foi para dar subsídios a desempregados, rendimentos complementares a idosos, abonos de família, rendimentos sociais de inserção. Nada disso. Nada para esses desgraçados ociosos, drogados, comunas, não. Foi fundamentalmente para empresas ligadas ao "regime", uns ajustezinhos diretos. Claro que no final é o povo que beneficia, mas os que trabalham, os honrados, os que potencialmente votam no partido. Está tudo explicado.

 

Sobre a Troika e o Memorando, diz o Catroga, herói do PSD, que saiu da sua zona de conforto para ganhar muitos milhares de euros numa empresa que era pública, mas que passou a privada, porque o Estado não sabe gerir empresas, sendo no entanto detida pelo Estado chinês (confuso?):

 http://www.sol.pt/noticia/18281

Mas indo ainda mais longe, o Governo e o PSD dizem-nos que o programa eleitoral do partido vai para além do Memorando:

http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=1847579&especial=portugal%20pede%20ajuda%20externa&seccao=economia

Bom, afinal, não era bem assim. O Memorando é do PS, por isso é que o Governo falhou em toda a linha:

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/passos_coelho_diz_que_o_memorando_do_ps_nao_era_cumprivel_.html

Sobre o "ir além da Troika", chiuu, nem uma palavra...ouviram Expresso, Sol, RTP, SIC, TVi; Público, Diário de Notícias, I, senão voltamos à tal da asfixia.

 

 

Impressões Gerais - III

Vamos portanto deambular um pouco mais pelos idos de 2011, que se seguiram aos idos de 2008.

Para muitos políticos e comentadores políticos portugueses não existiu uma crise financeira internacional (brincalhões).

Dir-se-ia que os problemas da economia e das finanças eram da exclusiva responsabilidade do então governo (socialista).

Tanto assim foi que, apesar dos apelos do Durão Barroso (!), da Merkel (!) e de outros atores internacionais, conseguiu-se fazer aquilo que a direita e o Presidente da República tanto queriam: derrubar o então primeiro-ministro e permitir a entrada da Troika no país.

A pergunta impõe-se: qual o interesse em fazê-lo? Em facilitar a entrada de tecnocratas estrangeiros no país? Que raio de coisa foi urdida entre o PSD e o Presidente? Que clientelas a satisfazer? Como foi possível?

Alguns, bem avisados, dizem-me que, da parte do Presidente, tudo se resumia ao ódio que este tinha (tem) ao José Sócrates. Qual a razão? (a pergunta da década)

Mas eu não acredito. Se bem que, num país civilizado, bastaria o episódio do e-mail para que este Presidente se tivesse há muito reformado. (http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_paulo_gaiao/o-caso-do-documento-falsificado=f825033); (http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1379451&opiniao=Paulo%20Baldaia); 

Da parte do PSD, o ataque do Relvas e do Marco António começou dentro do próprio partido e depois, facilmente, atingiram o Governo. A direita tem muita facilidade de mobilização: a aliança entre os cifrões atirados aos interesses privados (saúde e educação) e a esquerda conservadora (CGTP/PCP), ainda que contranatura, provoca sempre muitos estragos.

A equipa: O ponta de lança um rapaz de meia idade, bem parecido, sem grandes qualidades, nem grande intelecto. Perfeito; Alguns rapazes e raparigas vindos das sociedades financeiras e das sociedades de advogados (emprestados, digamos assim); meninos doces e delicados a quem a mamã descrevia, ao deitar, o mundo perfeito dos anos 40 e 50 em Portugal, onde se temia Deus, a PIDE e o Capataz.

A inspiração: o BPN (Dias Loureiro e outros); o Estado Novo (controlo da comunicação social e da justiça); o Tea Party (e as suas arrojadas técnicas para destruir pessoas).

O objetivo: ganhar e dar a ganhar muito dinheiro dos cidadãos a uns "Happy Few";

Os Patronos: é só seguir o rastro.

 

O método para o derrube do Governo:

Propagandear (paradoxo) a asfixia democrática (a democracia asfixia-vos, não é verdade meninos?);

Repetir que os portugueses atingiram o limite dos sacrifícios (Cavaco dixit), o que nos deixa, valha-nos isso, com um sorriso amargo na boca e um punho cerrado;

A destruição do José Sócrates (continuamos na expetativa), aliás com métodos já nossos conhecidos desde os tempos do caso "Casa Pia";

A invectivação do PEC IV (e a ausência de "pote");

A educação, a saúde, o desemprego, et cetera et cetera et cetera...

 

Depois foi o que se viu:

Um mundo de mistificações e delírios, onde nos perguntamos: como é possível que ninguém tenha reajido? Por anda o equilíbrio de poderes? Por anda a regulação? A opinião pública? As pessoas, a sua consciência? O pudor dos jornalistas? Como foi possível deixar as coisas chegarem a este estado? 

Já lá vamos.

impressões gerais II

O governo durão/portas foi importante para a direita portuguesa.

"Abril é evolução", foi um marco: deixa-se cair o "R" e temos cinquenta anos de primavera marcelista (anda por aí um doutor em história que...fixe).

Por outro lado, nada como umas viagens até ao "tea party" para saber como a coisa funciona:  

Começamos com uma guerra para separar as águas (é cá uma coisa que temos com os Abássidas, uma fraqueza).

Na Comunicação social temos tudo tratado, umas armas de destruição maciça e tal, que todos nós vimos com os nossos próprios olhos, Deus seja nossa testemunha, seja eu cego surdo e mudo. Algum pânico e, pronto, atiramos a bomba. É sempre agradável de ver. Sirenes, explosões, gritos. Um magnífico espectáculo, digo-vos. Mas somos pela vida claro, sempre pela vida, até fazemos campanhas e tal. Os gajos é que são malandros (as mulheres e os miúdos são os piores. Intratáveis).

Mas o medo não chega. Arranjar um sacana de um processo. que meta putas. Sim, mas menores e africanas e mães solteiras. Não, africanas não. Não tem grande impacto. E que tal rapazinhos? Resultou na Bélgica. Metíamos assim uns socialistas e estava no papo. O Guterres? Não. Esse ninguém acreditaria. Outros...insinua-se. Certo. Tudo se arranja. Mas com pormenores...sórdidos

A prostituta negra talvez dê jeito lá mais para a frente. Talvez com um francês, verdadeiros devassos.

 

Não é arriscado?

Arriscado? Ó meu amigo, connosco está sempre do lado dos vencedores. Não há que enganar.

O TPI? O nosso futuro?

Eles que se atrevam. Levavam logo com uma bomba. Não se inquiete que têm o futuro assegurado. Faremos por isso.

Alguns negócios duvidosos, que o tempo arquivou, mas que insistem em não ficar escondidos, e outros que vão surgindo apenas por pura distração, que os tribunais já lá não chegam. Alívio de uns e de outros, riqueza de alguns. (eu sou dos que pensam que estes fofinhos da direita liberal portuguesa adoram o Estado e não savem viver sem ele)

 

(O resto da história já conhecem. A partir daqui tudo resolvido, caminho livre que se acabaram os pudores. Serviu basicamente para isso o Governo do Durão. As pessoas que se lixem, que o Expresso e o Correio da Manhã (é pr'ó menino e pr'á menina) tratam de tudo).

Tudo isto antes da crise financeira mundial de 2008. (Crise qual crise? Não soube de nada. Nada ouvi)

 

Voltamos a 2011 e a 2015.

 

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