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memóriacurta

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Impressões Gerais - III

Vamos portanto deambular um pouco mais pelos idos de 2011, que se seguiram aos idos de 2008.

Para muitos políticos e comentadores políticos portugueses não existiu uma crise financeira internacional (brincalhões).

Dir-se-ia que os problemas da economia e das finanças eram da exclusiva responsabilidade do então governo (socialista).

Tanto assim foi que, apesar dos apelos do Durão Barroso (!), da Merkel (!) e de outros atores internacionais, conseguiu-se fazer aquilo que a direita e o Presidente da República tanto queriam: derrubar o então primeiro-ministro e permitir a entrada da Troika no país.

A pergunta impõe-se: qual o interesse em fazê-lo? Em facilitar a entrada de tecnocratas estrangeiros no país? Que raio de coisa foi urdida entre o PSD e o Presidente? Que clientelas a satisfazer? Como foi possível?

Alguns, bem avisados, dizem-me que, da parte do Presidente, tudo se resumia ao ódio que este tinha (tem) ao José Sócrates. Qual a razão? (a pergunta da década)

Mas eu não acredito. Se bem que, num país civilizado, bastaria o episódio do e-mail para que este Presidente se tivesse há muito reformado. (http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_paulo_gaiao/o-caso-do-documento-falsificado=f825033); (http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1379451&opiniao=Paulo%20Baldaia); 

Da parte do PSD, o ataque do Relvas e do Marco António começou dentro do próprio partido e depois, facilmente, atingiram o Governo. A direita tem muita facilidade de mobilização: a aliança entre os cifrões atirados aos interesses privados (saúde e educação) e a esquerda conservadora (CGTP/PCP), ainda que contranatura, provoca sempre muitos estragos.

A equipa: O ponta de lança um rapaz de meia idade, bem parecido, sem grandes qualidades, nem grande intelecto. Perfeito; Alguns rapazes e raparigas vindos das sociedades financeiras e das sociedades de advogados (emprestados, digamos assim); meninos doces e delicados a quem a mamã descrevia, ao deitar, o mundo perfeito dos anos 40 e 50 em Portugal, onde se temia Deus, a PIDE e o Capataz.

A inspiração: o BPN (Dias Loureiro e outros); o Estado Novo (controlo da comunicação social e da justiça); o Tea Party (e as suas arrojadas técnicas para destruir pessoas).

O objetivo: ganhar e dar a ganhar muito dinheiro dos cidadãos a uns "Happy Few";

Os Patronos: é só seguir o rastro.

 

O método para o derrube do Governo:

Propagandear (paradoxo) a asfixia democrática (a democracia asfixia-vos, não é verdade meninos?);

Repetir que os portugueses atingiram o limite dos sacrifícios (Cavaco dixit), o que nos deixa, valha-nos isso, com um sorriso amargo na boca e um punho cerrado;

A destruição do José Sócrates (continuamos na expetativa), aliás com métodos já nossos conhecidos desde os tempos do caso "Casa Pia";

A invectivação do PEC IV (e a ausência de "pote");

A educação, a saúde, o desemprego, et cetera et cetera et cetera...

 

Depois foi o que se viu:

Um mundo de mistificações e delírios, onde nos perguntamos: como é possível que ninguém tenha reajido? Por anda o equilíbrio de poderes? Por anda a regulação? A opinião pública? As pessoas, a sua consciência? O pudor dos jornalistas? Como foi possível deixar as coisas chegarem a este estado? 

Já lá vamos.

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